"Chega de falar de mim, vamos falar de você por um minuto. Chega de falar de você, vamos falar da vida por um momento. Os conflitos, as loucuras e o som das pretensões caindo por todos os lados..."

domingo, 29 de março de 2009

O Que Eu Faço Agora Com Todo Esse Fogo?


II Parte: A Suposta Ex-Viciada Em Se Apaixonar – Alanis Morissette


Lançado dia 03 de Novembro de 1998 sobre grande expectativa da critica e fãs, “Supposed Fomer Infatuatian Junkie” talvez seja o álbum mais confessional e uma versão crua e despida do JLP. Recheado de sons e efeitos mais elaborados, a música alternativa é o destaque e talvez a estranheza que ele carrega principalmente para aqueles que esperaram uma “segunda versão de raiva”. Essa mesma que Alanis em alguma esquina perdeu. Ousado, ele trás letras em prosa, sem refrão e composições com temáticas em experiências e visões pessoais diversas. O disco é bastante difícil de digerir a começar pelo nome prolixo e adotado pela maioria dos fãs simplesmente como “Junkie...”. A rejeição a primeira audição é algo nada surpreende, um disco logo [com 17 faixas] deixa a desejar muito na produção enquanto versões ao vivo e acústicas são bem melhores que as de estúdio. O álbum não é nenhum pouco comercial e isso dificultou a divulgação em rádios e televisão. Poucas músicas tinham cara de Hit e dificilmente poderiam fazer parte desse circuito.

Faixas como “Baba” e “Thank U” mostram a influência Indiana na vida de Alanis onde ela carrega no colo até hoje. Enquanto o som pesado de “Baba” [Pai em Hindu] nos seduz, “Thank U” [o grande destaque do cd] nos leva as formas de expressão a gratidão em uma das músicas mais belas de Alanis. Essa influência ainda pode ser vista na capa do cd onde é ilustrado o código moral do ensinamento Budista da perfeita conduta que é: não matar, não roubar, não ser sexualmente promíscuo e não mentir.

“The Couch” é uma música completamente desorganizada, ela não segue nenhuma regra e foi composta após uma conversa entre ela e seu pai e tanto sentimento transborda da música. “I Was Hoping” é uma das minhas preferidas e segue mais ou mesmo a mesma linha de “The Couch”. Nada animadora, deixando a desejar muito nessa versão [dica: escutem a versão Unplugged ou uma versão elétrica ao vivo]. As canções “Sympathetic Character” e “Are You Still Mad” são produzidas pela própria Alanis. Talvez a primeira não lhe chame a atenção na primeira audição, mas logo você se prende aos acordes alternativos e experimentais que ela possui. Em “Are You Still Mad” a melancolia dos pequenos toques de piano se mistura a um rock bem tranqüilo.

Músicas como “Joining You”, “Would Not Come”, “Can’t Not”, “One” e “That I Would Be Good” [Quem não conhece essa?!] dão mais força ao cd. Canções realmente muito boas de uma sonoridade fantástica nos incentivam a querer continuar a dedilhar cada música.

O disco não segue uma linha minimalista e nos apresenta canções mais voltadas para um folk/pop como “Ur” e “Unsent”. Elas trazem da época do JLP a famosa gaita que marcaram músicas como “Ironic”, “Heand Over Feet”, “All I Really Want” e “Hand in My Pocket”. Ainda nessa linha mais introspectiva, músicas como “Heart Of House” e “Your Congratulations” mostram um vocal mais delicado de Alanis.

SFIJ é um álbum que quase nada nele soa convencional. Cada música tem uma história que te prende e uma sonoridade singular. Um cd de significados, de sentimentos sinceros, delicioso... Mas tudo o que foi dito a resto dessa obra aqui com certeza não é o bastante para despi-lo de tal forma que o pareça admirável, talvez soe um pouco de clichê, mas quem escutou sabe o que eu quero dizer [Não é Jr?! Hehehe]. Lembre-se: o SFIJ é um álbum pra se admirar e não se identificar.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Sociedade do Bar da Última Esquina


Comer lixo, comer luxo, mascar chiclete, devorar o poema, beber no boteco, fumar um cigarro, se perder no escuro, lamber o asfalto, cuspir veneno, beijar o corpo, morder a música, rastejar no chão, quebrar a vidraça, mastigar pimenta, devorar a rua, despir a canção, oferecer o pão, pintar a carne, comer o corpo, lamber os lábios, arder a língua, beber uma pinga, esmurrar a faca, transar na escada, conversar no chão, dançar no sertão, comer cinema, desaparecer no porão...
- Lucas Silva

domingo, 22 de março de 2009

A Chave


A Porta.
Ele bateu. Ele chutou. Esbravejou. Empurrou. Ele sangrou. E sentiu dor. Estava cansado. Exausto. E desistiu.
A Janela.
Se aproximou. Ela era alta. Mas a alcançou. A vista era deslumbrante. Ele sorriu. Fechou seus olhos e caiu. Em um abismo sem volta. E ele chorou.
A Chave.
Por que não usou a chave?

(...)

E a Porta abriu...
- jR. Rocha